As quatro coisas que um pai sabe sobre babywearing 

por Nuno César Nunes  

Há algumas semanas que tenho editado os posts da Julia e acho que está na altura de também partilhar algo.

Ora, eu não sei muito sobre babywearing, mas sei quatro coisas.

 

1. Sei que muito provavelmente quem está a ler este post é uma mãe! 

Assim, antes de continuarem a ler, chamem os vossos maridos ou leiam o post em voz alta para eles, vai torná-lo muito mais divertido e útil. E não há desculpas, o campeonato já terminou e o Ronaldo só joga dia 28…

 

2. Sei que para os vossos maridos o babywearing parece muito mais complicado do que realmente é!

Ou pelo menos, assim o era para mim:

Encontra o meio do pano! Estica… põe o bebe… agora puxa, assim não! Aperta! Com a outra mão! Isso, boa! Agora passa por baixo, puxa para trás… E dá um nó!

Só de pensar neste bailado do babywearing, ficava cansado. Os argumentos eram vários, falta de jeito, o bebé não está bem seguro, parece que vai cair, depois já está demasiado apertado!

Cada amarração era um desastre. Transpirava, irritava-me, o miúdo chorava, tal era a azáfama, e eu, com o receio de fazer mal ou com a pressa de sair daquele pesadelo, apertava tudo torto e com tanta força que ficava desconfortável, até me doíam os ombros e as costas. E cada falhanço reforçava os meus argumentos.

Isto não é para mim.

 

Então e qual foi o ponto de viragem?

Este é o momento em que as mães imaginam que só razões como a ternura das amarrações ou a vontade de um pai em criar laços fortes com as crianças, ou a beleza da proximidade aos nossos bebés podem contrariar esta situação.

 

Nada disso.

Teimosia… pura teimosia.

Sou teimoso que nem um peru e quando meti na cabeça que queria dominar a arte de babywearing, já não havia espaço para desculpas, argumentos ou dúvidas. Era para acontecer.

E agora pergunto eu: quantos pais há por aí “determinados” como eu?

 

3. Sei que os pais apenas estão interessados em saber uma amarração

Os pais não vão querer experimentar várias posições do pano, nem vão querer analisar as características do pano, nem vão tentar procurar a amarração adequada à situação do dia que estamos a viver.

Nós queremos aprender uma amarração, repeti-la até estarmos confortáveis e usá-la para o resto da nossa vida. É assim que escolhemos camisas: encontramos uma que gostamos, compramos 5 iguais e está a semana feita. É igual com as amarrações.

Mas disto que vou escrevendo, meio a sério, meio a brincar, a parte da repetição é mesmo a parte mais importante. É a repetição que nos faz passar por três fases muito simples:

  • A primeira, a fase do receio, em que aprendemos os movimentos para atar o pano: o nosso foco é conseguir fazer a amarração sem deixar o bebé cair. Para os pais mais inseguros, peçam à mãe alguma supervisão e ajuda para por e tirar o bebé;
  • A segunda, a fase do crescimento, em que já sabemos todos os passos da amarração e começamos a cuidar da posição, conforto e segurança do bebé (e da nossa também). É a altura de declinar delicadamente a supervisão da mãe;
  • A terceira, a fase da utilidade, em que já o fazemos com uma “perna às costas”, em qualquer local e circunstância e em que conseguimos realmente colher os frutos do babywearing: a comodidade, o conforto, a ternura, o sossego, a conveniência, aquele respirar profundo do nosso bebé a dormir no nosso peito…

Se virmos bem, fazemos isto a vida toda: repetir. Para aprender a atar os atacadores, para saber as serras, rios e afluentes, para safar a matemática. Para aprender a tocar guitarra, piano ou bateria. Para jogar ao pião, berlinde ou bilhar. Para correr na São Silvestre, para fazer slides com o carro ou simplesmente para fazer o zapping mais rápido que a box nos permite. Repetir, repetir, repetir, repetir até dominar o tema.

Se puderem, tirem um dia para acelerar a vossa passagem pelas fases 1 e 2:

Escolham um bom dia: daqueles em que o bebé acordou bem disposto e os pais também. Um dia sem compromissos e que possam tirar algum tempo sem estarem preocupados com aquilo que terão que fazer logo a seguir. Comecem bem cedo: os miúdos de manhã estão frescos e vão ser mais pacientes enquanto o pai os coloca no pano 2 ou 3 ou 4 vezes seguidas. Demorem o tempo que precisarem, mas mantenham a criança entretida, cantem ou narrem o que estão a fazer para o bebé. Espreitem o resultado no espelho e tentem novamente.

 

4. Sei que a segurança e conforto do bebé estão acima de tudo

E sei que por vezes os pais ficam submersos em questões e, mesmo depois de chegarmos à fase 3, de vez em quando lá vem uma nova onda de dúvidas.

Será que a perna está muito apertada? Está a respirar bem? Esta posição do braço é boa? Estará confortável? Não me sinto seguro…

Quando as dúvidas apertam, comparem a vossa amarração com a seguinte checklist de segurança.

Mantenham sempre presente que a checklist tem duas colunas, porque o babywearing envolve sempre duas pessoas, logo tem que ser confortável para os dois. Se não for, retoquem a amarração, é mesmo o melhor para o pai e para o bebé.

E como sei que não vão abrir este post a cada amarração que façam, abram a checklist de segurança no Slideshare onde podem descarregar, imprimir e colocar na porta do frigorífico.

Sei que as minhas ideias exageram e generalizam este assunto em demasia e quem nem todos se reveem no que escrevo, mas o objetivo é mesmo esse, por-nos a falar sobre aquilo que acreditamos. Partilhem em baixo as vossas ideias, truques e receios e até breve!