Toddlerwearing

..: Julia :..

Aproveitando a Semana Internacional de Babywearing, decidi pedir a outras mamãs para explicarem porque gostam de carregar os filhos delas. Mais concretamente, porque gostam de carregar as suas crianças mais velhas – toddlerwearing.

Há muito tempo que tenho pensado em escrever sobre este assunto, quais as vantagens de carregar as crianças mais velhas, porque muitas pessoas não sabem que podem (e devem) continuar a usar porta-bebés com toddlers.


Rebecca, Estados Unidos

Somos grandes fãs de toddlerwearing. Seja porque as pernas ficam cansadas durante as compras ou porque precisam de mimos depois de um trambulhão, carregar é a oportunidade perfeita para que um pequeno tenha algum tempo de proximidade antes de arrancar com a sua próxima aventura.

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Foto gentilmente cedida pela Rebecca, All Rights Reserved


Valdineia, Brasil

Quando as meninas eram pequenas havia uma grande necessidade de contato afeto, e eu precisava de liberdade para me locomover e ao mesmo tempo ter elas junto de mim…. agora que já estão grandes (6 anos e 4 anos) a necessidade mudou, é uma questão de proximidade e apego, principalmente quando alguma delas está doentinha…. é tão delicioso você sair com a cria no sling, e de repente no meio da caminhada você receber abraços e beijos e um eu te amo bem gostoso! Não tem o que pague…

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Foto gentilmente cedida pela Valdineia, All Rights Reserved


Hana, República Checa

Acho que carregar um toddler é também muito importante. Ainda carrego o meu filho com quase 2 anos. Principalmente porque ele ainda não consegue andar ordenada e calmamente connosco. Sai a correr ou o oposto, cada passo demora uma eternidade. Vivemos no centro da cidade e tudo à nossa volta é estrada. Seria perigoso deixá-lo andar sozinho. Por isso, ponho o no porta-bebé e assim que chego ao parque deixo-o andar.

Além disso, quando ele começou a andar, ficou tão excitado que nem sequer conseguia adormecer. Deitava-se, bebia leite, dava-me um beijo e saía. Passei a adormecê-lo no pano. Ele acalma bem e rapidamente. Depois adormece e depois ponho-o na cama.

Também tenho experiência em carregar uma criança de 3 ou 4 carregava o meu filho mais velho quando estava com pressa ou quando ele estava demasiado cansado. Não há nada mais fácil do que por uma peça de pano (pano tecido) na carteira e quando estás com pressa ou a criança está cansada, vai para o pano e podes andar ao ritmo que queres.

Quando retomei o trabalho, tínhamos que acordar cedo e tinha que levar o meu filho para o infantário todas as manhãs. Eu acordava-o, punha-o perto de mim, dava-lhe um snack e carregava-o até ao infantário. Ele estava ainda meio a dormir, aconchegava-se nas minhas costas e mais tarde no infantário conseguia dizer adeus mais facilmente do que se não o carregasse. Quando ele estava no infantário na floresta, eu carregava-o no caminho monte acima quando ele estava muito cansado. Nunca conseguirias passas naquele terreno com um carrinho-de-bebé. Carregar miúdos mais velhos é muito pratico e tem muitos benefícios. Vale a pena continuar a praticar Babywearing na mesma e até porque o fazemos menos vezes.

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Foto gentilmente cedida pela Hana, All Rights Reserved


Natacha, Brasil 

Sou a Natacha, 25 anos mãe do Victor 2 anos e 5 meses e do Cauê 5 meses mais meninos vieram por escolha totalmente minha, e me transformaram muito. Desde a gestação eu ja estudava sobre a arte do carregar ou babywearing e já era apaixonada! Victor foi carregado no meu primeiro sling de argola com 1 semana de vida. E adorávamos! Eu amava tê-lo juntinho do peito e carregá-lo pra todo lado junto de mim e ele amava ainda – mais esse nosso contato.

Tivemos muitas formas de carregar sling de argola, wrap, canga, Mei Tai, o que importava era estarmos juntos e seguros nesse casulo q o babywearing nos proporciona.

Qdo engravidei bateu um pouco de desespero por pensar q não poderia carregar meu pequeno q na época tinha apenas 1 ano e 3 meses foi aí que descobrimos o Mei Tai e passei a carregá-lo nas costas. Foi super tranquilo com a amarração certa e o carregador correto. Carreguei até o oitavo mês. 

Após o nascimento do meu segundinho descobrimos novos carregadores e a praticidade de novas amarrações. Descobrimos a blusa, a canga, o lenço, e a pouco nosso queridinho o pouch. 

Continuamos firme nessa nossa linda história de amor pelo pano agora carregando dois. 

O sling me proporcionou desde meu primeiro dia a segurança, o aconchego e a liberdade para poder ir a vir com meus pequenos para qualquer lugar. Seja fazer uma comida em casa sem deixá-los sozinhos ou pegar um metrô em segurança sem riscos de alguém mexer neles ou eu cair estando com as mãos ocupadas. Pois além de todos os benefícios de contato que o sling me proporciona ele ainda me possibilita estar com as mãos livres para fazer o que precisar. 😊😍

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Foto gentilmente cedida pela Natacha, All Rights Reserved


Mayra, Brasil

Mesmo bebês grandes precisam ser carregados. Não é pq já sabem andar que eles conseguem ou querem andar o tempo todo. Você pode precisar andar uma longa distância, vai passar muito tempo na rua, é perto do horário da soneca… Eles ainda tem necessidade de colo e é muito bom poder oferecer esse colo com mais conforto (pra gente e pra eles), por isso sempre saio com um sling na mochila, pode ser que eu não use mas se precisar de colo ele tá logo ali 😊

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Foto gentilmente cedida pela Mayra, All Rights Reserved


Bruna, Brasil

E como você faz com os dois?

Essa é uma das perguntas que eu mais ouço por ai quando as pessoas ficam sabendo que tenho dois filhos com diferença de apenas 1 ano e 5 meses.

Eu acredito numa maternidade mais fácil quando a gente se entrega para essa função no momento em que recebemos o “positivo”, é obvio que essa entrega não é instantânea e nem automática, é uma decisão, tem gente que demora mais e outras que se entregam logo a rotina do bebê. Quando a gente percebe que nada mesmo será como antes, procuramos maneiras de nos adaptar e o sling é parte fundamental da minha adaptação a maternidade.

Quando o Estêvão nasceu, eu ganhei meu primeiro carregador, não fazia ideia de como usar então fui atrás de informação e descobri o quanto poderia ser fácil dar colo para meu filho e ainda fazer muita coisa ao mesmo tempo por ter as mãos livres, acabei usando bastante nos passeios e quando precisava em casa.

Jonas e eu desejamos muito um segundo filho para fazer companhia ao primeiro e recebemos nosso doce positivo quando o Estêvão estava com 8 meses. Sim! Era só um bebezinho e ainda precisaria de muito colo, mas saber da possibilidade de ter os dois juntos no meu colo simultaneamente, sempre que fosse necessário, me deixou muito tranquila e mais curiosa ainda por esse mundo dos carregadores de bebê, a cada dia fui pesquisando mais, conversando com pessoas da área, assistindo videos e treinando as amarrações e hoje essa imagem responde claramente a pergunta:

– É assim que eu faço com os dois todas as vezes que eles querem colo ao mesmo tempo, é assim que eu faço com os dois quando precisamos dar uma volta na rua, ir a padaria, ou até passear no parque ou shopping quando o papai está trabalhando e somos apenas nós três. 

Carrego meu mais velho, pq ele nem é tão mais velho assim, ele ainda precisa de colo e enquanto puder levarei ele agarradinho em mim para que não falte o carinho e o apego tão importante na primeira infância. 

Nunca subestime o poder do colo, aqui eles se aninham, se acalmam e são acolhidos e é “enrolando” eles no pano que me aninho, me acalmo e sou acolhida por eles.

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Foto gentilmente cedida pela Bruna, All Rights Reserved


Mariana, Brasil

Minha filha, desde bebê, sempre necessitou muito do contato físico, e tinha que ser comigo, nao servia outra pessoa. Fazer comida sempre foi um desafio que consegui vencer com o uso de slings. No entanto, conforme ela foi crescendo, continou solicitando colo, principalmente quando percebe que nao estou dando atenção a ela. Resultado, mesmo com dois anos, ainda coloco ela no sling para tarefas domésticas. Além disso, usamos também em passeios longos, porque ela se cansa de andar muito. Atualmente fora de casa uso mei tai, sling de argolas e mochila, e em casa usamos wrap. Eu adoro carregar minha pequena, mesmo com seus quase 14 kg!

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Foto gentilmente cedida pela Mariana, All Rights Reserved


Mariana, Portugal

No dia a dia o meu filho é um rapaz independente, tem de facto problemas em andar pois só sabe correr. Penso que este é o argumento que me dizem mais vezes “Então mas ele não tem perninhas para andar?”.

E tem. Não é essa a questão em causa.

Apesar de grande ele só tem 3 anos. Ainda tem muito pouca maturidade e muita necessidade de mimos que, no meio de três filhos, tenho infelizmente muito pouco tempo para dar. 

Assim quando o carrego ele revive um pouco dos tempos de bebé. Tem o hábito de ir o tempo a fazer festas no meu cabelo. É delicioso. 

E assim mantenho cheio o depósito de mimos dele. Ajuda-me a resolver crises rapidamente. Não é todos os dias, diria que já nem é todas as semanas, mas quando é é a 100%.

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Foto gentilmente cedida pela Mariana, All Rights Reserved


Gosia, Polónia

Comecei a carregar a minha filha mais velha quando tinha 2 meses. A nossa última longa caminhada no pano aconteceu exatamente um dia depois do quatro aniversário dela. Foi também nesse dia que adormeceu no pano pela última vez. Depois só a carreguei algumas vezes, só curtas distâncias. 

A maior razão para carregar tanto tempo era porque nós vivemos nos arredores da cidade. Para o parque infantil mais próximo temos de andar a pé por volta de 40 minutos, portanto a cada saída de casa, voltávamos com a filha no pano ou na mochila.

O carrinho não foi uma opção pelas várias razões. Primeiro a Hania começou a falar antes de começar a andar (por volta de um ano de idade). Quando tinha um ano e meio falava bem e era muito faladora. Quando estava sentada no carrinho, virada de costas para mim não podíamos falar porque eu não conseguia a ouvir. Para passear no carrinho, saía com a avó. E aquilo foi sempre engraçado de ver passado alguns metros a avó parava, aproximava-se da neta, falavam as duas um bocado para depois voltar a empurrar o carrinho mais alguns metros. E assim quase o caminho todo.

A segunda razão era porque sem o carrinho podíamos ir pelo caminho mais curto, sem carros a passar, um caminho que com carrinho não era nem fácil nem agradável.

A terceira razão para continuar usar porta-bebés quando a filha já sabia andar era a minha vontade de fazê-la andar sozinha pela parte do caminho. Comigo normalmente ia a pé e voltava no pano. Com avó e carrinho, saltava logo para o carrinho e andava sentada na ida e volta. 

A quarta razão é que eu não gosto dos carrinhos 🙂 

Carregar assim durante tanto tempo foi possível também porque a Hania é uma menina pequenina. Com 5 anos tem 104 cm de altura e pesa 16 kilos. Hoje quase todos os dias caminhamos juntas duas ou três horas. Todo este tempo ela vai sozinha. Eu já não a posso carregar porque agora carrego a minha segunda filha de 1 ano e meio.

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Foto gentilmente cedida pela Gosia, All Rights Reserved


Patrícia, Portugal

Só descobri o Babywearing quando o meu filho já tinha 4 meses, através de uma amiga, e antes disso sinto que era uma mãe que lutava entre o que eu queria fazer, e o que o meu bebé precisava… No entanto, carregar o meu filho ainda foi uma grande ajuda até pelo menos aos 3 anos, altura em que deixámos de usar tão regularmente.

Com a ajuda do sling, fazer as coisas do dia-a-dia tornou-se muito mais fácil e fez com que a minha maternidade fosse vivida de uma forma mais descontraída, e assim podia ter sempre o meu filho no lugar onde ele pertencia: junto ao meu peito! Tendo ficado em casa com ele até aos 2 anos, a maior parte das vezes sozinha, fazíamos tudo em conjunto e aí o sling era mesmo uma grande ajuda: tratar da roupa, limpezas, compras, almoços de família, passeios… Quase tudo era feito com ele agarradinho a mim, e também era lá que ele dormia as melhores sestas.

Quando começou a falar, ele próprio ia buscar o sling, vinha ter comigo e dizia: “Mãe, paxear?” Quando ele já tinha três anos, fizemos uma viagem em família à Holanda e sabia que íamos ter de andar muito, e levar o carrinho estava fora de questão. Felizmente emprestaram-nos uma manduca para levarmos e sinto que foi o que nos salvou a viagem, ele andou quase o tempo todo na manduca, entre o colo da mãe, pai e tia e assim pode descansar e desfrutar da viagem! Ficámos todos fãs da manduca e mesmo depois de voltarmos a Portugal ainda a usámos muitas vezes!

img_7977Foto gentilmente cedida pela Patrícia, All Rights Reserved