Natal à séria é com Babywearing, parte 4

Com o Natal à porta, trago-vos a quarta parte desta sequela, que se vai focar exatamente na ceia de Natal e no dia seguinte.

Já vimos que há várias estratégias familiares para o Natal e que a exigência desta quadra nos pode deixar exaustos e um porta-bebés pode-nos dar uma grande ajuda durante as compras de Natal e pode até ser uma excelente prenda para toda a família.

Mas quando chega o grande dia, surge nova vaga de afazeres que requerem a nossa atenção e dedicação e rapidamente os miúdos reagem.

A preparação da ceia

Se escolhesse o que mais me espanta no Natal, é a preparação da ceia. Cozinhamos algo diferente. Algo especial. Com todo o amor que a família merece. Com todo o carinho de quem quer uma refeição que é um estoiro. Mas com a responsabilidade de alimentar toda a família.

Aliado a isto, temos uma mesa especial. Com toalha especial, pratos especiais e talheres especiais. É tudo especial. Até os guardanapos chegam a ter motivos natalícios e as bebidas servidas servem as cores da decoração da mesa.

E o processo todo, de preparação da comida, de preparação da mesa, de preparação da sala, é um processo agitado, ocupado, desafiante. Aceleramos o passo e aumentamos a concentração e vamos fazendo tudo normalmente, mas visto de fora, é como ver um furacão a passar.

E agora pensem nisto tudo aos olhos de um miúdo de 2 ou 3 anos. Toda a azáfama e agitação, todo o espetáculo de novidades, para uma criança, são absolutamente deslumbrantes. Animação, animação, animação. Excitação, excitação, excitação.

Mas mais. Se é importante para nós que a ceia saia perfeita, os miúdos vão perceber essa importância. E se é realmente importante, eles vão querer fazer parte do processo. Vão fazer perguntas. E vão-se meter no nosso caminho. E vão tentar mexer naquilo que andamos a preparar.

E vão achar que a mesa que acabou de ser posta pode ser toda re-organizada à maneira de uma criança de 2 anos…

O pano pode ser o nosso salvador neste cenário, por várias razões:

  • Trazemos a criança para o nosso plano, em que poderá ver e cheirar tudo o que estamos a fazer, e damos-lhe uma forma mais sossegada de viver e partilhar a preparação da ceia com os pais;
  • Damos-lhe algum carinho e proximidade numa altura em que a nossa atenção tende a estar focada em tudo exceto nos miúdos;
  • Reduzimos a sua autonomia de movimentos, que também significa dizer que garantimos que não vão puxar uma frigideira quente, ou destruir o novo conjunto de pratos especialmente comprados para a ceia de Natal ou simplesmente usar todos os guardanapos como um qualquer brinquedo;
  • Damos-lhes um momento para acalmar e quiçá até dormitar uma sesta. É que a festa ainda nem começou e quanto mais ajudarmos os miúdos a poupar energias, melhor será a ceia e a abertura das prendas.

A abertura das prendas

Não sei como é nas vossas casas, mas a ceia cá por casa acaba cedo e deixa-nos em frente a uma longa espera até à meia-noite para abrir as prendas. Uma vez em miúdo alterei a hora de um dos relógios, imaginando que assim conseguia convencer os adultos que estava na hora de distribuir os presentes, mas sem sucesso. Mais tarde, já adulto, percebi que era só um ritual para implicar comigo enquanto era miúdo, porque acabámos por antecipar a abertura das prendas para as 23h, depois para as 22h e um ano foi logo às 21h.

Outra alternativa é esperar pelo dia seguinte e à alvorada, abrir as prendas. Para nós este cenário não dá. A casa é pequena e no fim da festa vai para um para seu sítio e reagrupar no dia seguinte de manhã quando os miúdos acordam não é muito prático. E porque quando acordamos no dia seguinte, não queremos saber de prendas, só queremos mesmo café…

Mas num caso ou no outro, a excitação vai ser mais que muita, seja a abertura das prendas às 21h, às 00h ou às 08h. São as cores dos embrulhos, as fitas enroscadas, o barulho do papel a rasgar, as caixas de brinquedos cheios de cor, os barulhos dos brinquedos, as formas, as novidades… estão reunidos todos os ingredientes para uma explosão de sensações que vão deixar os miúdos radiantes, depois cansados, depois exaustos e depois insuportáveis.

E num caso ou no outro, seja às 21h, às 00h ou às 08h, recomendo usar o pano como um porto seguro, um espaço onde a criança se pode aninhar e onde podemos protegê-la de novos estímulos e mantê-la aconchegada e confortável, a fazer uma pausa.

Não que eu imagine que alguma criança pequena se aguente até às 00h, mas…

Na hora do adeus

Preparação da ceia. Feito. Ceia em família. Feito. Elogios da família toda pela ceia mais deliciosa de sempre. Feito. Espera pela hora das prendas. Feito. Antecipação da hora das prendas. Feito. Abertura das prendas. Feito. Divertimento total com pais, tios, primos e avós. Feito.

Chegou à hora de terminar a festa. Arrumar, dar beijinhos a todos e ficarmos novamente na habitual rotina da família. Voltar do modo de excitação máxima para uma vida pacata e sossegada.

Por muito sentido que isto faça na cabeça de um adulto, não há volta a dar ao assunto. Isto vai gerar lágrimas e por muito que tentemos, parar este ciclo de divertimento vai colocar o mais perfeito dos bebés numa birra inconsolável.

Novamente, um porta-bebés pode-nos ajudar bastante neste cenário. O que recomendo é por a criança no pano ou mochila antes de se começarem a despedir da família. E a razão é simples. Ninguém no seu perfeito juízo vê uma criança sorridente e deixa de interagir e brincar com ela. É normal que, num cenário de boa disposição e festa, todos os segundos levem a uma nova brincadeira com os miúdos. Mas este híbrido entre dizer adeus e continuar a brincar é penoso, e quanto mais longo for o momento híbrido, mais violenta será a birra seguinte.

Mas com a criança no porta-bebés, a quem já explicaram que a festa está a chegar ao fim, torna-se mais fácil controlar as interações com a envolvente e consegue-se marcar uma quebra entre o momento anterior (a festa), o momento atual (dizer adeus) e o momento seguinte (de volta à normalidade).

E com o Natal mesmo a chegar, conto convosco novamente na próxima semana para me alongar um pouco sobre a importância do babywearing durante a passagem de ano.

Foto de topo de página por Kevin T. Quinn, CC BY-NC