Porque razão devemos carregar os bebés sempre virados para nós?

Talvez já ouviram falar, talvez não… uma das “regras de ouro” do transporte ergonómico de bebés é não carregar os bebés virados para a frente, como na foto seguinte.

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Foto por Dani Lurie, CC BY

Por vezes esta orientação é vista como uma proibição absoluta, limitadora e algo alarmista, pois muitos pais carregam bebés assim, alguns produtores de marsúpios recomendam esta posição, e não acontece nada aos bebés.

Bem, a verdade é que um bebé com alguma estabilidade do pescoço e tronco (e que, por exemplo, já senta sozinho), que é carregado assim durante curtos períodos de tempo (15-20 minutos) muito provavelmente não sofrerá nenhumas consequências negativas.

Apesar disso, é necessário ter em conta que não é uma posição para carregar muito tempo, nem para o bebé nem para o adulto (imaginem as costas daquela senhora da foto acima depois de 30 minutos!). É mais uma posição de brincadeira, apenas para experimentar, nunca para estar muito tempo e de certeza que não é para o bebé relaxar.

Como fazer?

A recomendação de escolas de babywearing como a ClauWi e de consultoras de babywearing é de não usar esta posição de todo, para não abrir a porta às variadas interpretações do que é “estabilidade do tronco”, do que é “sentar sozinho” e do que é “curto período de tempo”. E, sobretudo, porque há alternativas muito melhores!

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Foto por Ania Kosmicka, All Rights Reserved

Quando o bebé se torna mais curioso e quer olhar para o mundo, podemos e devemos começar carregá-lo na anca ou nas costas. Assim fica virado no sentido da marcha, o que ajuda na estimulação e desenvolvimento sensorial, e permanece virado para nós, o que permite que continue a haver várias vantagens:

  • a distribuição de forças pelo corpo do bebé é mais favorável para  o desenvolvimento, e podemos dar o apoio adequado à coluna e às ancas em desenvolvimento;
  • é (muito) mais favorável para a postura do adulto e não desloca o centro de gravidade, logo o risco de queda diminui;
  • há mais estimulação tátil do bebé e na frente do corpo, que é uma área mais sensível ao toque;
  • protege o bebé contra a hiper-estimulação, porque pode sempre pousar a cabeça para dormir ou aconchegar-se;
  • se o bebé adormecer podemos apoiar a cabeça com o pano ou capuz, e não precisamos de segurar com as mãos;
  • permite que o bebé veja a reação do adulto em situações desconhecidas e potencialmente perigosas. Assim aprende sobre o que é seguro e o que é perigoso, sobre as emoções do adulto e consequentemente, as suas próprias.

Foto de topo de página por Natalia Tessner, All Rights Reserved