Babywearing na Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense

A comunidade babywearing está em crescimento em Portugal (de 1 ou 2 grupos no Facebook temos agora, em pouco mais de um ano, cerca de 10 – e até existem alguns secretos), apesar de ser um costume milenar.

Penso que isto se relaciona com a cultura do apego e vinculação, mas também com a necessidade de as mãos estarem livres para as atividades da vida diária, sejam elas tratar de nós, da casa, de outro filho, das compras ou simplesmente para nos segurarmos a um corrimão.

Não é de agora…

Na verdade, a geração dos nossos pais, avós dos nossos filhos, ainda está no ativo profissionalmente e não podem estar disponíveis como antigamente para ajudar em tudo isto. E, por isso, as famílias mudam e há necessidade de se fazerem novas adaptações – seja através do uso de panos, slings ou de mochilas ergonómicas.

Em Portugal, ainda nem passaram 100 anos desde que se iniciou a moda dos carrinhos de bebé – estes, apesar de terem surgido em 1733 com um boom em 1840, tratam-se de uma moda recente por estas terras à beira-mar, visto que conseguimos facilmente descobrir no Google fotografias dos anos 30 e 40 de Artur Pastor e de Maria Lamas onde os bebés são carregados no xaile. A verdade, é que nem percebo como é que esta moda pode ter pegado numa cidade com 7 colinas e calçada de paralelepípedos. Obviamente, dá para conciliar – e conheço quem o faça perfeitamente – já eu, sou mesmo mais fã de babywearing, o que não quer dizer que seja sempre a melhor opção.

Apesar do crescimento da comunidade, no dia-a-dia ainda vemos poucas pessoas a carregar os bebés e os poucos que o fazemos, sempre que nos cruzamos por aí, trocamos olhares e um sorriso tímido. Quase todos nós sentimos a necessidade de partilha e para isso nada melhor que dinamizar a comunidade babywearing com um Apertadinhos in Love – um encontro gratuito, mas com obrigatoriedade de inscrição. O local… óbvio! a Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense (mas não se vão já embora).

A Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense

Criada em 1838, foi uma das maiores unidades fabris da capital no século XIX, constituindo um ponto de referência na história da industrialização da cidade de Lisboa. E como quando falamos em babywearing, falamos de tecidos, o local não podia ter sido mais perfeito.

Em 1846/7 a direção da companhia decidiu construir um edifício de raiz para instalar a fiação e a tecelagem, escolhendo uns terrenos situados em Santo Amaro, comprados ao Conde da Ponte, para edificar a nova fábrica. Este espaço acolhe agora o LX Factory, muito em voga e que eu, pessoalmente, ADORO e que considero mesmo um local obrigatório para quem visita a nossa cidade.

Dentro do LX Factory, as lojas e espaços são muitos, mas precisávamos de um local pró-bebé, com espaço para cerca de 12 famílias e com um ambiente acolhedor e descontraído. A escolha recaiu sobre a Livraria Ler Devagar (a quem, desde já, agradecemos a hospitalidade), a qual, ao cimo do primeiro lance de escadas dispõe de um anfiteatro aberto às Artes (já ali assisti a um concerto e a uma peça de teatro, que em ambos os casos adorei).

Apertadinhos In Love

O encontro estava marcado para as 10h e as famílias foram chegando, um pouco recatadas, caladas, envergonhadas, mas com as apresentações feitas e uma mesa composta das mais variadas frutas (e, permitam-me que vos diga, com as melhores tangerinas), a verdade é que o tempo voou até às 13h.

Neste encontro tivemos como anfitriãs quatro consultoras ClauWi onde me incluo, e como expositor contámos com um maravilhoso piano de cauda onde se encontravam os mais luxuosos porta-bebés – panos de tecido não elástico, slings de argolas, mochilas ergonómicas, mei tai, onbuhimo, em diferentes cores, materiais e tamanhos. Num ambiente familiar e descontraído foi-se falando dos percursos no babywearing – quando? com que porta-bebés? que tipos de materiais? o que mais gostam no carregar o bebé? e alguns esclarecimentos…

Respostas universais não as há! Desde que seja ergonómico, tudo é possível e é tudo uma questão de gosto. Claro que além de muita conversa e brincadeiras e correrias por parte da criançada ainda houve tempo para muita prática – onde imperou a curiosidade por diferentes porta-bebés e tecidos.

Sem dúvida, um encontro a repetir num futuro próximo.