Se houvesse uma competição internacional de babywearing, Portugal ganhava

Parece haver uma nova ordem no mundo, e

ainda bem que sim.

Cresci na altura do Schumacher e do Michael Jordan, quando popularidade significava Spice Girls, se bem que sempre preferi Sinatra. Passei na boa pelo bug do ano 2000, que assustava toda a gente.

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Por outro lado, vivi a minha juventude aterrorizado com esse flagelo da sociedade chamado Celine Dion, mas aparentemente, toda a gente gostava.

 

Lá fora, não ganhávamos nada

Na ordem em que cresci, dávamo-nos mal em tudo o que era importante para mim. Não íamos ao mundial ou ao europeu, porque eramos escandalosamente roubados e quando íamos, roubados eramos. Nos jogos sem fronteiras, o mesmo fiasco, não porque fossemos roubados, mas porque tínhamos sempre as equipas com o pior sentido de equilíbrio da competição ou que simplesmente confundiam o objetivo da prova, achavam que era alguma competição de mergulho, estavam sempre dentro da piscina. Na Eurovisão, acho que saíamos de lá sempre mais perto de descer de divisão do que de ganhar o caneco. Na fórmula 1, nem existíamos.

A exceção era o hóquei em patins, dois devaneios do meu Porto e a equipa de Oliveira de Azeméis nos Jogos sem Fronteiras, que limpava os adversários todos com uma perna às costas.

Fonte da imagem: Google

Em pouco tempo tudo mudou

Fico feliz em constatar que a ordem na qual crescem os meus filhos, mudou. Celine Dion, nem ouvi-la. Não que importe, basta configurar o Spotify e bye bye. O melhor jogador do mundo é português, e não só vamos aos mundiais e europeus, como ganhámos o último. E agora a Eurovisão.

Nem tudo mudou para melhor, o meu Porto parece a equipa dos casados da garraiada de Primavera de Carregueiros e continuamos a não existir na Fórmula 1, mas ao menos temos o Filipe Albuquerque a dar show no WEC e a praticar babywearing, já é qualquer coisa.

Para quem não sabe, WEC significa World Endurance Championship, é uma das #cenasdepai importantes…

 

Campeonato europeu de babywearing

A corrente está tão a nosso favor, que eu diria que se houvesse um campeonato europeu de babywearing, Portugal ganharia. Sem sombra de dúvidas, dávamos um banho de babywearing a todos os países com quem nos cruzássemos.

As provas iriam envolver eliminatórias mais simples no início, em que bastava fazer um Front Wrap Cross Carry com um boneco de instrução, mas depois evoluíam para eliminatórias mais complexas, em que os desafios passam por fazer um rucksack e adormecer o bebé, transferir o bebé para o berço sem acordar ou colocar o bebé no pano sem deixar o pano tocar no chão.

Na final do campeonato, o desafio era brutal. Davam-nos um bebé cansado e chorão, um berço e um pano. Tínhamos direito a uma ida à despensa durante 2 minutos e tínhamos 50 minutos para pôr o bebé a dormir, transferi-lo para o berço e servir um risoto de cogumelos e tomate seco ao Gordon Ramsey.

 

Seleção nacional de babywearing

Mas ganhar uma competição com este nível de exigência vai precisar de uma equipa ao mais alto nível.

Eu sou voluntário para ficar à baliza. Só sei quatro coisas sobre babywearing e uso sempre a mesma amarração, portanto não podem contar comigo para fazer grandes maravilhas lá à frente. Não sou nenhum Ronaldo do babywearing, sou mais uma espécie de Rui Patrício, que garante que na baliza não passa nada. E assim é com os bebés, qualquer bebé que aterre aqui no pano, podem crer, vai dormir.

No centro da defesa, a Gosia e a Julia. O mais importante numa defesa é a segurança e elas as duas escrevem como ninguém sobre segurança, nomeadamente como carregar recém-nascidos, como identificar se um porta-bebés é ergonómico e porque razão não devemos carregar os bebés virados para a frente.

Eu sei, não são tugas, mas o Pepe também não era, vou por o departamento jurídico do blog a tratar disso…

À esquerda, a Alice. Ela é de Setúbal e dá-se bem com a ala esquerda. À direita, a Katia.

São as duas fisioterapeutas e, portanto, são ideais para a transição defesa-ataque. Vão suportar a Gosia e a Julia na segurança e espicaçar o ataque com os seus conhecimentos de fisioterapia.

No meio campo, aposto na Alexandra, que é uma espécie de João Moutinho do babywearing. Às vezes, ninguém dá por ela, mas ela domina. Às vezes, quando não sabes bem porque razão algo aconteceu num desafio de babywearing, podes ter a certeza, foi a Alexandra.

Ao lado dela, nas laterais, punha a Luisa e o Salvador Sobral. O Salvador é importante porque acabou de nos trazer um caneco que ja tínhamos desistido de ganhar. Pode não perceber nada de babywearing, mas percebe de vencer competições difíceis. A irmã dele porque canta bem, é conhecida no mundo todo e pratica babywearing.

Lá à frente, o Ronaldo e o Éder. Mais uma vez, podem nem saber o que é babywearing, mas vamos precisar de estrelas com estaleca no campo e capazes de segurar o balneário, especialmente nas alturas em que achamos que o pano não quebrou ou que o rucksack parece sair sempre torto ou que receamos que o superman toss se transforme numa tentativa de record do mundo do lançamento do peso.

A dar apoio ao Ronaldo e ao Éder, numa espécie de papel criativo mas vagabundo, tipo Ricardo Quaresma, a Ana. Ela que escreveu um post surpresa sobre as 7 situações em que é melhor usar o carrinho, que é repleta e energia e que encontra sempre algo de bom em qualquer situação.

Para treinar a equipa, ainda pensei no nosso mister (e futuro presidente da república) Fernando Santos, mas achei que precisamos de mais técnica de babywearing para orientar a nossa equipa e acho Hedwych Veeman seria a aquisição certa.

yeah, wearing a toddler is fun #Plumeotique #BijouWear

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Acho que a seleção Alemã de Babywearing vai ficar danada, mas é a vida…

 

Não somos 11, somos 11 milhões

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