Preciso de reforçar o apoio do pescoço do meu bebé?

Por vezes vemos as caudas dos slings de argolas a serem utilizadas como uma almofada para “suportar” o pescoço e a cabeça de um bebé mais pequeno, principalmente enquanto dorme.

Da mesma forma, é frequente ver-se a utilização de um pequeno pedaço de tecido (frequentemente uma fraldinha de pano) enrolado na porção superior do pano (elástico ou tecido), a servir de “almofadado” para o pescoço do bebé que está a ser transportado.

Quando os bebés estão bem posicionados, no pano ou no sling, não há necessidade de nenhuma porção de tecido enrolada atrás do pescoço com o intuito de o proteger e/ou o suportar. Nem tão pouco a servir de almofada à frente (entre a cabeça do bebé e o peito da mãe).

Mas porquê? O meu bebé não ficaria mais confortável com esse apoio extra?

A resposta é que na verdade não

De facto a utilização destes reforços, como as “almofadas” e “apoios”, poderão forçar a cervical, causando desconforto e favorecendo assimetrias e posturas incorrectas, em nada benéficas para o desenvolvimento anatómico do bebé.

Quando no porta-bebés, o bebé deve ter o peso do seu corpo distribuído uniformemente pelo rabinho e pelas coxas e deve ter as costas, em toda a sua extensão, bem apoiadas pelo tecido, que deverá ter sido ajustado prega-a-prega.

Quando estas condições são respeitadas o bebé tende a deixar a cabecinha cair para a frente, repousando suavemente no peito da mãe, ou nas costas quando transportado atrás.

Quando o bebé está acordado deve ter liberdade para conseguir movimentar a cabeça e o pescoço: para iniciar os movimentos da cabeça anti-gravidade, no caso de um recém-nascido, ou para explorar o ambiente à volta, estimulando a visão, no caso de bebés um pouco maiores (+3 meses).

Só o pano basta

Assim, a propósito destas práticas relativamente frequentes, a minha opinião profissional enquanto consultora de babywearing e fisioterapeuta é que, com um pano bem ajustado, tensionando prega-a-prega, devidamente esticado e lisinho nas costas do bebé (sem que haja sobreposição de porções do tecido), não há necessidade de mais nenhum suporte extra.

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