Marsúpios não ergonómicos

por Gosia Krogulec 

É óptimo podermos carregar os nossos bebés perto de nós, e todas as mães e pais que o fazem, fazem-no sempre com as melhores intenções. No entanto, por vezes perguntam-se qual seria a melhor forma de carregar, não recebem nem encontram nenhuma orientação. Sem a informação adequada, não é fácil escolher um bom porta-bebés; a escolha é ampla e a publicidade abunda, mas o que tem mais visibilidade, nem sempre é o melhor.

É importante carregar os bebés de forma saudável e ergonómica. Isso significa respeitar a fisiologia do bebé e colocá-lo na posição que favorece o desenvolvimento dele. Significa também respeitar a fisiologia de quem carrega, distribuir bem o peso e possibilitar uma boa postura.

Existe no mercado um tipo de porta-bebés chamado marsúpio, acho que de facto são os porta-bebés mais populares e com mais visibilidade. Esses marsúpios não são ergonómicos e o seu uso deve ser evitado. Um marsúpio típico tem este aspeto:

Porquê os marsupios são desaconselhados?

  • Deixam as pernas do bebé penduradas, e não na posição do sapinho, com joelhos acima do rabo. Ter as pernas esticadas não beneficia o desenvolvimento da anca, e pode agravar a tendência para a displasia ou outras malformações da anca.
  • Quando as pernas estão esticadas, todo o peso do tronco está concentrado na região genital e no cóccix. Essas partes do corpo não estão preparados para suportar peso e essa posição é muito desconfortável para a criança.
  • O apoio para as costas do bebé é rigido e não se adapta nem apoia a coluna que está frágil e em rápido crescimento;
  • Não é possivel adaptar a parte superior do painel de forma que apoie a cabeça;
  • Não existe maneira de estabilizar o bebé nas laterais;
  • Como as pernas estão esticadas, o quadril inclina-se automaticamente para trás. Isso provoca uma extensão das costas para qual o bebé ainda não está preparado;
  • Alguns marsupios não permitem um bom ajuste e deixam o bebé muito baixo. Quando os pés do bebé tocam nas pernas do adulto, são empurradas para trás a cada passo, agravando mais ainda o mau posicionamento das ancas e a extensão das costas;
  • O marsúpio é rígido e não envolve o corpo do bebé. Assim, não existe nenhuma maneira de amortecer os choques que acontecem ao caminhar, e o corpo do bebé acaba por sofrer o impacto deles;
  • Muitos marsúpios são desconfortáveis para o adulto, e não permitem uma boa distribuição de peso. Quando o adulto sente falta de suporte, o corpo tenta compensar o peso, e inclina-se. Ao longo prazo, uma postura inclinada para trás ou para a frente prejudica a saúde da coluna e do soalho pélvico. 21813913530_b0c6457757_zPhoto by Katie Burt / CC

Como posso reconhecer um marsúpio?

  • Tem a base (onde assentam as perna do bebé) estreita e aberturas para as pernas viradas para baixo;
  • Estrutura rígida, ou macia mas com muitos elementos almofadados e preenchimentos, que não se adapta ao corpo do bebé;
  • Falta de apoio para a cabeça ou um apoio inclinado para trás;
  • Basicamente, se tem uma base muito estreita ou/e é rigido, não é ergonómico.
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Photo by Gosia Krogulec

Quais as diferenças entre uma mochila ergonómica e um marsúpio?

  • Tem um cinto largo, macio e almofadado (embora alguns porta-bebés não ergonómicos também o tenham);
  • Tem uma base larga para apoiar as pernas do bebé de joelho a joelho;
  • Tem um painel de tecido, completamente mole, sem rigidez nem preenchimentos;
  • Algumas tem um capuz de tecido para segurar a cabeça;
  • Tem alças almofadadas, grossas e confortáveis para o adulto.

Um exemplo:

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Photo by Gosia Krogulec

Abaixo uma comparação entre um marsúpio e uma mochila ergonómica. Qual vos parece mais confortável?

 

 

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