Podaegi: o que é? como se usa?

por Julia Wronikowska Nunes  

Podaegi, do coreano 포대기, é um porta-bebé tradicional proveniente Coreia. Não é muito popular na Europa, mas é muito versátil e permite várias opções na amarração. Pareceu-me tão exótico que resolvi experimentar.

O que é um Podaegi?

Um Podaegi é uma peça de pano retangular, designada de manta, com duas tiras anexas. O mais normal na Europa é ter uma manta estreita, como na foto seguinte, mas também existem com mantas mais largas, que cobrem o corpo da mamã a toda a volta.

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A biblioteca Savannha Slingers tem um tutorial de 2 minutos (em inglês) que explica muito bem a utilização de um Podaegi, neste caso com um Podaegi de manta larga.

As tiras podem ser almofadadas, o que as torna suaves para os ombros, mas mais rijas na amarração. Sem almofadas, as tiras são mais moldáveis, mas um pouco mais abrasivas para os ombros. É tudo uma questão de preferências individuais e qual das opções é mais confortável para cada um de nós.

Outra característica do Podaegi é que a manta permite padrões muito variados e bonitos, sem perder funcionalidade, porque não precisam de ser tecidos de nenhuma maneira especial. Como considero a estética um dos 5 fatores mais importantes a considerar na escolha de um porta-bebé, esta possibilidades na escolha do tecido e a facilidade de ter um Podaegi que corresponde bem aos nossos gostos, torna este porta-bebés numa opção interessante.

Como usar um Podaegi?

A amarração original posiciona o bebé no cimo das costas, com a cabeça da criança acima dos nossos ombros, e o nó no torso, o que significa que as tiras passam por baixo dos nossos ombros, junto das axilas, e por cima do peito.

O problema desta amarração é que, devido à gravidade e aos movimentos, tanto da mãe como do bebé, este tende a deslizar e posicionar-se na lombar, criando desconforto. Por outro lado, a mãe tende a inclinar ligeiramente as costas para a frente para compensar este efeito, o que também pode causar dores nas costas.

Não encontrei nenhuma explicação para esta situação, mas da informação que reunimos durante a preparação deste post, imaginamos que, na sua utilização tradicional na Coreia, em que a mãe assume um papel de suporte à família, esta amarração fosse muito prática para manter as crianças por perto durante atividades domésticas e de cultivo de arroz. Estas ocupações exigiam que as mães passassem longos períodos de tempo agachadas e inclinadas para a frente.

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Imagem da esquerda por Don O’Brien, CC BY
Imagem da direita por Carl Mydans, 1948, Life Magazine, All rights reserved

Nessas condições, a posição subida da criança poderia eventualmente permitir à mãe manter uma distribuição de peso mais equilibrada e o nó acima do peito seria útil, visto que, na posição de agachamento ou inclinada, o nosso abdómen extende, o que seria incompatível com um nó da amarração por cima da barriga durante períodos de tempo alargados.

Mas além desta amarração mais tradicional, o Podaegi permite-nos alternativas adequadas aos desafios que encontramos no nosso dia-a-dia, através das mesmas opções que um pano tecido: amarração no peito, na anca e nas costas.

Podaegi-amarracao-frontalPodaegi-amarracao-costas

Teoricamente, pode ser usado tanto com recém-nascidos como com toddlers, mas na minha opinião é preferível para bebés mais velhos, que já consigam segurar a cabeça sozinhos ou, preferencialmente, que já se consigam sentar sozinhos, porque a manta de um Podaegi é rígida e de estrutura fixa, muito menos maleável que de um pano ou sling e não permite um ajustamento à fisionomia do bebé, nomeadamente à zona da coluna, pescoço e cabeça, um pouco à semelhança do que acontece com as mochilas ergonómicas.

Como amarrar o Podaegi?

Como em qualquer outro porta-bebé, existem dezenas de amarrações possíveis. Deixo-vos um conjunto de tutoriais que foram muito úteis para as amarrações que experimentei:

 Onde posso comprar um Podaegi?

Há várias lojas onde se podem comprar Podaegis, das quais destaco a Kaïte da Psicolor, autora de um dos tutoriais que apresentei acima. Vende Podaegis fabricados em Portugal e tem também muita informação sobre como usar e amarrar o porta-bebé. A página está em francês porque este é o mercado principal dos Podaegis que a Psicolor vende.

Outra alternativa é encontrar um Podaegi usado. No Facebook há muitos grupos onde se vende porta-bebés usados e onde podem encontrar muita oferta de Podaegis.

Por fim, podem também converter os vossos panos em Podaegis. Por exemplo, um pano que tenham mas que não seja tão fácil de amarrar devido à sua composição e trama, pode ser convertido num Podaegi. Não conheço oferta desta solução em Portugal, mas destaco a Squish Dlish no Reino Unido como uma das opções.

A minha apreciação final

Experimentei o Podaegi com a minha bebé de 5 meses e com o meu filho de dois anos e meio.

O que gostei mais foi a rapidez de colocação que é crucial com um bebé rabugento ou um toddler impaciente. O que não gostei foi que, na minha opinião não havia suporte suficiente na zona do pescoço. Por esta razão não me aventurei de experimentar com bebé pequeno nas costas. O meu filho mais velho já o coloquei nas costas sem problema.

O Podaegi que experimentámos tinha as alças perpendiculares à manta, fazendo um ângulo de 90 graus, que é o mais adequeado para a amarração tradicional. No entanto, achei a amarração tradicional pouco confortável.

Usar o Podaegi numa amarração mais popular, por exemplo FWCC, temos que dobrar as alças num ângulo muito acentuado, o que torna a passagem pelos ombros algo estranha.

Mas sei que há também Podaegis com as alças aplicadas num ângulo mais aberto e que facilita o conforto nos ombros – tenho que experimentar um destes em breve!

Principais vantagens

  • Pode ser colocado rapidamente;
  • Fácil de atar;
  • Bom para quem não tem paciência para aprender dezenas de voltas e/ou amarrações (sim, estou a falar dos papás!);
  • Bom para curtas distâncias: ir de casa até ao carro, subir umas escadas, passar no supermercado ou ir à farmácia;
  • Compacto e pequeno quando dobrado;
  • Pode ser boa solução para reciclar tecidos antigos que temos em casa;
  • Pode ser feito com um tecido escolhido por nós.

Principais desvantagens

  • Não é adequado para amarrações longas ou para caminhar distâncias longas.
  • Não é bom para todas as idades das crianças;
  • Tem menos versatilidade nas amarrações que um pano tecido.