Férias à séria é com babywearing, parte 3

por Nuno César Nunes

À entrada da terceira jornada deste tema, já vos trouxe as emoções e desafios da entrada em férias e a coragem de deixar o carrinho de bebé para trás, dois temas algo polémicos mas bastante divertidos. Hoje o assunto que trago é mais sério.

A importância de ter um porto seguro para o nosso bebé

Uma das mais frequentes respostas ao que queremos durante as férias é a “quebra da rotina”. Gostamos de ter alguma excitação, um pouco de fator surpresa durante o nosso dia. Queremos quebrar a monotonia e avançar pelo dia fora sem um plano muito detalhado. Queremos sentir-nos ligeiros e sem estarmos escravizados pelo calendário, pela agenda e pelo relógio.

Mas para um bebé, esta quebra da rotina pode tornar-se desconfortável. Para os adultos a areia da praia é algo quase banal, com que lidamos todos os anos. Para um miúdo, tudo é novidade, tudo é excitante, tudo é fantástico. Para os mais bebés é um mundo novo a explorar. Para os mais velhos são sítios novos, brincadeiras novas, amigos novos.

Tudo isto conjugado cria uma explosão de sensações para as crianças. São estímulos imperdíveis e extraordinários que os deixam vidrados, felizes, eufóricos. Mas todo este cenário, que parece ideal para que os nossos miúdos tenham umas férias memoráveis, muito rapidamente pode derivar, e a excitação em demasia pode começar a pressionar alguns dos “botões” do bebé e levá-lo a situações de excesso de estímulo e de excesso de cansaço.

Excesso de tudo.

E assim de repente, as gargalhadas transformam-se em choro e como que se viesse do nada, temos os miúdos num pranto inconsolável, num soluçar que nos empurra os ouvidos para dentro e nos parte o coração.

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“Baby crying” por e OrimO, CC BY-NC

Nestas alturas, o melhor que podemos ter é um porto seguro para o nosso bebé. Um local, uma forma, uma rotina, de modo a que, aconteça o que acontecer, conseguimos acarinhá-lo, acomodá-lo, confortá-lo, acalmá-lo. Claro, a mama da mãe é uma boa ajuda, mas se a mãe também está de férias, era bom dar-lhe um espacinho para descansar os seus super-poderes. Nestas alturas, o melhor que podemos ter é um pano por perto, para enrolar o nosso bebé e mantê-lo firme contra o nosso peito. Levá-lo a respirar ar fresco, segurá-lo e recolhê-lo de novos estímulos. Manter a calma, balancear o corpo, falar ou trautear pausadamente e deixar que a cadência do bater no nosso coração junto à sua cabeça faça a sua magia. Não vai tardar a sair um daqueles suspiros de alívio e o nosso bebé vai voltar à sua calma inocência e finalmente aterrar num sono profundo.

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Em férias à séria, um pano tem que estar sempre por perto.

 

Mas… panos com este calor?

Sim, sem dúvida.

Aprendi este ano que há vários tipos de porta-bebés e que há porta-bebés adequados a diferentes situações do nosso dia-a-dia. Há até alguns porta-bebés tradicionais, como o Podaegi, que quase não ocupam espaço e que são muito fáceis de atar (leia-se, adequados para os papás).

E descobri também que há panos feitos de tecidos que são particularmente adequados para o Verão e que as super-mães têm truques geniais para lidar com o calor, até em situações de calor mais extremo.

Em férias à séria, usamos o pano até na praia.

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Foto por Kasia Ka, All rights reserved

E quem diz um pano, diz dois ou três

Especialmente para quem tem dois miúdos, um pano não chega. A necessidade acentua-se, se os miúdos tiverem uma diferença de idades pequena. A mais nova ainda nem gatinha, logo precisa de ser transportada sempre. O mais velho já anda e é muito autónomo, mas por vezes cansa-se e precisa de ajuda, outras vezes dá-lhe o mimo e quer “bã” (é como ele se refere ao pano).

A nossa escolha para este Verão vai ser um trio. Um ring sling, rápido de amarrar e adequado para a mais pequena ser transportada na anca ou no peito. Serve para utilizações curtas, até 20 minutos e é ideal para caminhar até à praia, por exemplo. Um mei-tai, tamanho toddler, para o mais velho, adequado para o carregar nas costas, visto que já tem mais de 12 quilos e é muito simples de amarrar, fator importante para os papás. Um pano longo, o porto seguro, que serve os dois miúdos e que permite colocá-los nas costas, na anca ou no peito.

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Em férias à séria, existe sempre um pano, e quem diz um pano, diz dois ou três.

 Espero que tenham gostado e conto encontrar-vos novamente na próxima semana para vermos a ajuda que o babywearing nos pode dar em viagem, seja de carro, de comboio ou de avião.