Férias à séria é com babywearing, parte 4

por Nuno César Nunes

À partida para a quarta jornada, vimos já o entusiasmo e o desespero que a logística das férias nos pode causar, ponderámos a opção de ir de férias sem carrinho de bebé e vimos que o pano pode ser o porto seguro dos nossos bebés durante os picos de entusiasmo das férias.

Mas um dos principais benefícios de um porta-bebé é a facilidade com que transportamos os miúdos. E se as férias são normalmente um momento para relaxar e descansar, a viagem de ida e o retorno costumam ser uma grande dor de cabeça.

O pano e o “brum-brum”

“Brum-brum” significa carro na língua do meu mais velho. Numa viagem de carro para férias, o pano pode ter aplicações absolutamente fantásticas que nos vão facilitar muito a vida.

Quando a viagem é longa, começamos a ficar com o “rabo quadrado” e lá temos que parar para esticar as pernas. Com bebés pequenos, isto significa segurá-los. Esticamos as pernas, mas cansamos os braços. E em vez de usar os minutos que temos para relaxar, mantemo-nos alerta e a agarrar o bebé. Uma amarração nas costas durante uma destas pausas é uma lufada de ar fresco. O bebé fica com a cabeça bem elevada e vai poder ver tudo à sua volta e o papá ou a mamã podem realmente esticar as pernas e caminhar sem sobrecarregar os braços e a lombar. Com miúdos mais velhos, mal põem um pé fora do carro, saem logo disparados a correr.

Lá vai mais um treino para a São Silvestre.

Estacionamento-StefanSchmitz-CC-BYNDFoto por Stefan Schmitz, CC BY-ND

Encontrem uma zona calma e agradável, de preferência com relva, estiquem o pano no chão e deitem-se nele com os miúdos. Eles vão adorar, porque é sempre uma novidade e vai conter a necessidade de saírem disparados que nem um foguete. E os pais também vão adorar, porque vão poder espreguiçar bem o corpo todo e começar a aproveitar o sol quente na pele ainda antes de chegar ao destino solarengo que os espera.

Mas o sol que é tão bom durante a paragem, pode ser uma chatice durante a condução. Mal a estrada vira à direita, ou à esquerda, damos por nós com sol direto na cadeirinha de bebé e com o nosso bebé a perder a paciência.

Vem lá choro…

Prendam o pano nas barras laterais de suporte para os passageiros. São aquelas pegas de plástico que estão por cima dos vidros, onde nos agarramos quando viajamos no banco de trás e há uma daquelas curvas apertadas. Depois estiquem o pano e prendam-no por baixo da cadeirinha, vai formar uma cortina que ajuda a bloquear o Sol. E como provavelmente a mamã escolheu um padrão giro para o pano, visto a estética ser um dos fatores mais importantes na escolha de um porta-bebé, o padrão vai também ajudar a entreter a criança durante a viagem.

Em férias à séria, tenho sempre um pano na bagageira do carro.

 

O pano e o “bóié”

“Bóié” é a expressão eleita pelo meu puto que significa comboio.

Entrar num comboio com malas e crianças é daquelas situações que me dão suores frios. Pessoas a entrar, outras a sair, azáfama por todo o lado, barulho, luzes. São os ingredientes perfeitos para a atenção do meu rapaz estar tipo cata-vento em dia de tornado. Por muito que eu lhe dirija a atenção para a entrada no comboio, o mundo em redor é demasiado interessante.

LiverpoolStreetStationLondon-AndySedg-CC-BYNCND
Liverpool Street Station, London, foto por Andy Sedg, CC BY-NC-ND

Pô-lo no pano é a melhor opção. Está seguro, está confortável, mas essencialmente, está com movimentos restritos. Adicionalmente, liberto uma das mãos e torna-se mais fácil lidar com as malas.

Perfeito.

E a solução pode facilmente ser repetida dentro do comboio. O pano é uma boa forma de acalmar um bebé ou um toddler numa viagem de comboio, que sendo longa, pode deixá-los impacientes, aborrecidos ou irrequietos. E tal como no carro, o pano é sempre um plano B face a uma cortina de comboio avariada. Sim, porque, sejamos francos, a cortina avariada é sempre aquela imediatamente ao lado do lugar onde nos sentamos.

Em férias à séria, tenho sempre um pano comigo na carruagem.

 

O pano e o “vião”

“Vião” significa avião na língua do meu mais velho. De todas, esta deve ser a viagem mais difícil de gerir.

Começa logo por ser extra excitante quando vivemos em Lisboa e há aviões a passar por perto a toda a hora e finalmente o puto vai entrar num avião. Mas para lá chegar há que passar pelo Aeroporto que é, por si só, um espetáculo de energia, luz e cor para uma criança. E ainda temos que atravessar no raio X, onde estão seguranças e polícias e onde temos que tirar o cinto e os sapatos.

Ora, existirá alguma atividade mais excitante para um miúdo de 2 anos que tirar os sapatos no meio do aeroporto?

Depois, começa o aborrecimento… esperar pelo embarque. Sendo Verão, aumenta a probabilidade de atraso… Lá pomos o rapaz a caminhar, mas ele quer mexer em tudo e os aeroportos pode ser dos locais mais seguros do mundo, mas não são baby friendly.

A minha sugestão é aplicar a regra 80/20. Deixem o rapaz andar e correr e brincar 80% do tempo. Mas aqueles 20% de tempo antes de embarcar coloquem-no no pano. Vão mantê-lo restrito na altura em que têm que agarrar na bagagem de mão, no bilhete e na identificação. E vão acalmá-lo um pouco antes do próximo momento de excitação: entrar no avião.

A entrada no avião e a chegada ao nosso lugar os miúdos atingem um pico de excitação. E nem é por ser a primeira viagem de avião. A menos que os vossos miúdos já sejam Victoria Gold, continua a ser um cenário incrível, mesmo que já tenham andado de avião no passado.

Até o é para mim, que tenho 34 anos, quanto mais para um puto!

Numa cabine, a utilidade do pano é surpreendente. Começa logo por funcionar bem como uma manta caso o ar condicionado comece a refrescar em demasia. Bem dobrado ou enrolado, funciona também como uma boa almofada caso a criança adormeça. E para os bebés mais pequenos, torna-se fácil de os proteger da luz artificial da cabine, para poderem mamar descansados ou mesmo para dormir.

Babywearing-aviao-AgniezskaSztandera-CC-BYNCND

Foto por Agnieszka Sztandera, All Rights Reserved
Portfolio completo disponível em www.nakoniecmapy.com

E quando a impaciência ou o cansaço apertam, uma birra de bebé numa cabine cheia de pessoas pode tornar-se ensurdecedora e de pôr os nervos a borbulhar. Um pano apertadinho, uma canção de embalar, balancear um bocadinho… notem que no avião nem precisamos de white noise, já lá está!

Em férias à séria, levo sempre um pano na bagagem de mão.

E agora que já chegámos ao paraíso onde vamos passar férias, vejamos a maravilhosa utilidade de um pano na praia… Até para a semana!