As três perguntas que fazem a diferença na minha relação com o meu filho

Ser pai é do melhor que há, ninguém discute isso. Mas as águas são turbulentas, especialmente quando o trabalho puxa por nós e o cansaço aperta e falta-nos paciência e bom senso para lidar com uma birra.

O meu mais velho

Tenho uma relação muito próxima com o meu filho. Ele tem 3 anos e construímos um espaço conjunto muito agradável e que me deixa muito feliz. Temos rituais e partilhamos atividades e responsabilidades, apesar da sua tenra idade.

Ele faz-me o café todos os dias de manhã e partilhamos a preparação do pequeno almoço. Pomos a mesa juntos, arrumamos a cozinha juntos, despejamos o lixo juntos. Lavamos os dentes juntos e ponho-o a dormir (quase) todos os dias.

Mas todos estes rituais maravilhosos têm naturalmente contratempos. Um miúdo de 3 anos nem sempre quer arrumar a cozinha. E às vezes reencontrou um brinquedo de longa data e só quer ficar a brincar, não quer ir para a cama. E às vezes está só cansado ou acordou irritadiço…

…e faz birra!

Aprendi com cada birra e com inúmeras leituras pela blogosfera que a birra é algo incontornável numa criança e porventura benéfico. Ajuda os miúdos a queimar energias acumuladas. É a forma de expressarem que não gostam de algo. É muitas vezes fruto da sua frustração, de não conseguir impor a sua vontade com as poucas palavras que conhece. Ou simplesmente um sinal que algo não está bem.

Mas nas minhas cenas de pai aprendi também que cada pai tem que encontrar o seu próprio equilíbrio com o seu filho ou filha. As dicas e truques que se encontram na internet são muito variadas e por vezes até contraditórias. É mesmo assim, há coisas que funcionam com uns miúdos e que não funcionam com outros. E é muito fácil ficar perdidos no meio de tanta sugestão. É por isso que digo que ser pai é ser aprendiz, vamos ter que nos virar e encontrar a nossa própria solução.

A minha solução começa pelo diálogo

Sempre insisti em falar com o meu rapaz como se fala com um adulto. Falo com ele pausadamente e explico-lhe o porquê das situações e das minhas opiniões. E foi essa a solução que construí para quando ele se desmancha a choramingar.

Consegues parar um pouco e explicar ao pai o que se passa?

A primeira tentativa é sempre tentar acalmá-lo. Mas mais do que dar-lhe colo ou pedir-lhe para não chorar ou dizer-lhe para parar, uma pergunta bem formulada pode captar a sua atenção e retirá-lo da espiral em que está.

Primeiro que tudo, porque dizer-lhe para parar ou pedir-lhe para se acalmar apenas está a considerar as necessidades do pai, que quer que ele pare de chorar. E segundo porque grende parte das vezes, a melhor forma de terminar a birra é dar espaço para a criança explicar o que tem, sente ou pensa. Porque a birra é por causa da opinião dele e não da minha.

Quero ajudar-te, o que precisas?

A segunda tentativa é indagá-lo. Mas não de forma abrupta ou tipo interrogatório policial. Mostrar genuinamente disponibilidade para ajudar e estar pronto para ouvir. E formular algumas hipóteses em forma de pergunta sobre o que o pode estar a chatear.

A criança vai perceber o nosso empenho e vai estar mais permeável a comunicar. Mas não fiquem em adivinhas o resto da vida, sejam firmes. Ao fim de três ou quatro hipóteses, explico ao meu rapaz que não posso estar a tentar adivinhar e que preciso que seja ele a dizer-me o que precisa. Mas mantenho-o sempre numa posição de responsabilidade e controlo do rumo da conversa.

Às vezes cola…

Preciso muito da tua ajuda, podes ajudar o pai?

A terceira tentativa é ocupá-lo. Pousar-lhe brinquedos à frente ou dar-lhe algo para a mão tipicamente não resolve. Ele vai dirigir a birra e o desconforto que está a sentir para essa nova coisa e reagir ainda mais forte.

Mais uma vez, quando o fiz percebi que estava novamente centrado em mim, queria só dar-lhe qualquer coisa para o entreter, sem sequer me dignar a pensar no que lhe estava a passar para a mão…

É o que se chama “chutar para canto”…

Mas pedir a ajuda da criança é totalmente diferente. O foco passou para a criança, estamos a dar-lhe atenção e acima de tudo, estamos a dar-lhe a oportunidade de participar em algo da nossa vida, ao ajudar. Só essa sensação pode ser o suficiente para quebrar o estado choramingas.

Mas funciona sempre?

Não. Talvez funcione metade das vezes. Nas restantes tenho que seguir outras alternativas. Umas mais diretivas em que a democracia cessa por uns minutos e lidero a situação com mão de ferro.

À Putin…

Outras mais carinhosas, como pô-lo no porta-bebés e dar-lhe a pausa que ele necessita,  levá-lo a apanhar ar fresco, enquanto canto algo, à sua escolha.

Mas tento sempre começar pelas 3 questões…

Foto de topo de página por Kristina Alexanderson, CC BY-NC-ND