Como foi a minha primeira consulta de Babywearing?

Recebi uma mensagem de uma mãe preocupada… Tinha um marsúpio, um pano elástico, um pouch, uma manduca e… não conseguia carregar bem o seu bebé de 3 meses! O calor do pano elástico, o desconforto do marsúpio e a insegurança no pouch eram os inimigos. O pai aprovou a compra da manduca, mas já a fazer contas aos gastos!

Foi assim que aconteceu

Assim começou a minha primeira aventura como consultora de babywearing! Com o curso ClauWi acabado há semanas, muito treino e muita vontade mas também… medo! De não dizer “tudo” o que importa da teoria, de não levar panos suficientes, de me atrapalhar na prática, apesar das várias simulações que fizemos no curso, enfim… aquele medo que dá borboletas na barriga e vontade de avançar. E avancei!

Cheguei a casa da Marisa e descobri uma mãe super querida, um pai simpático mas algo desconfiado, e um bebé sorridente e curioso, claramente a querer descobrir o mundo!

Levei a casa às costas

Ia ansiosa por começar, e com um arsenal à prova de medos: três panos woven tamanho 6, um tamanho 5, dois tamanho 4 e um tamanho 3; um pano elástico (just in case), dois slings de argolas, um mei tai, uma mochila evolutiva, uma manduca e um onbuhimo.

Tinha panos de algodão, linho, seda, lã e um handwoven. Levei o meu companheiro e assistente Francisco, o boneco de demonstração, que tinha sido previamente artilhado com 1kg de sal na fralda para ficar mais realista (entretanto fiz um upgrade no assistente). Não podia falhar…

Começar pela teoria

Comecei por falar da teoria do apego, da necessidade imperativa que todos os bebés têm de colo, da vinculação com os pais, das vantagens do babywearing, e… de repente estávamos numa conversa a quatro (o bebé contribuía com sorrisos), descontraída mas esclarecedora.

Demonstrei com o assistente Francisco as grandes etapas de desenvolvimento dos bebés e a sua relação com a forma correta de transporte. Falei da anca, pélvis, coluna e tónus, em linguagem acessível e demonstrando no modelo, para simplificar.

Depois mostrei os porta-bebés um a um, falando dos prós e contras de cada um deles, enquanto ia percebendo as necessidades e preferências dos pais.

Agora escolha…

No final os pais tinham de decidir qual o porta-bebés a experimentar e que tipo de porte treinar. Confesso que adorei a prontidão da mãe Marisa: “Alice… eu quero é panos!”. E demos todos uma gargalhada!

Pano woven. A bimby dos panos (dá para fazer TUDO com um woven!). Faltava escolher o porte. Pela curiosidade do bebé Santiago e pela necessidade de liberdade de movimentos dos pais escolhemos um porte às costas. Com a idade do Santiago o rucksack seria o indicado.

A parte prática…

E assim foi… primeiro eu com o boneco, depois a mãe uma e outra vez, para ganhar confiança. Sempre seguros e sempre a apoiarem-se, os pais fizeram uma verdadeira equipa.

Segurar o boneco com a mão forte. Por cima do ombro. Agarrar as alças. Prega a prega. Por cima das pernas. Cruzar. Nó e nó. A lengalenga e o balanço ritmado, como se embalassem o Santiago, ajudava a lembrar. Eu mantinha a distância, com poucas correções, tentando dar o máximo de autonomia.

Agora a sério…

A seguir era a prova de fogo. Fazer o rucksack com o bebé! Eu pedia baixinho… não chores Santiago, não estiques as pernocas, ajuda a mamã… e ele… ouviu-me! Apesar de rabugento de sono, colaborou. Curioso como só ele, de olhos ensonados, mas espantados. Nem os cabelos da mãe na cara o chatearam quando se viu bem alto às costas da Marisa.

Ficámos tão felizes! A Marisa já não o queria tirar e o pai sorria, orgulhoso da sua mulher e da sua cria, a dominarem em equipa uma acrobacia digna de atletas olímpicos!

Despedimo-nos com sorrisos e deixei um pano para que não perdessem a prática enquanto procuravam um para comprar.

Corri para o carro…

Corri para a minha bebé e adormeci-a no pano mal cheguei a casa. Hoje vai haver outro bebé apertadinho ao colo da mamã, pensei.

Dias depois recebo fotos do Santiago às costas… do pai! Nem queria acreditar! Mãe rendida, pai convertido e bebé feliz! A magia do babywearing a acontecer à frente dos meus olhos… Missão cumprida!

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Agora sim, sou uma consultora de babywearing… ao vosso dispor!