Natal à séria é com Babywearing, parte 2

Na parte 1 desta sequela vimos que cada família organiza o seu Natal de forma diferente. Avançando para a parte 2, vamos ver como é que o babywearing nos pode ser útil.

A zona comercial

Qualquer que seja a estratégia e a zona comercial escolhida, para quem tem miúdos pequenos, um porta-bebés faz parte dos essenciais.

Seja em visitas curtas ou em maratonas de compras, visitar uma zona comercial, uma atividade simples e perfeitamente natural para um adulto, visto pelos olhos de uma criança vai colocar ao adulto um conjunto de desafios difíceis de superar.

Um espetáculo de luz, som e cor

Música ambiente a ritmo animado, bolas e fitas coloridas penduradas por todo o lado, luzes a piscar, pessoas a passar, sacos cheios de prendas, embrulhadas em papel vistoso e com fitas felpudas e brilhantes.

Ainda não compraste nada e já tens o puto sobre-estimulado…

Mas a coisa não fica por aqui. Mais tarde ou mais cedo vais passar à frente de uma loja de brinquedos que é tudo o que referi anteriormente, com a agravante que tudo o que não está embrulhado também tem cores fortes e é ainda mais chamativo para os putos.

E notas que ainda não compraste nada, entraste numa loja de brinquedos e cada vez mais as tuas compras de Natal são uma miragem…

De encontrão em encontrão

Outro dos detalhes para os nossos minorcas, especialmente os que já andam, é o risco de levarem encontrões, pisadelas ou empurrões no meio da confusão. É que o maralhal anda todo desnorteado à procura de prendas especiais, como que em negação da opção das peúgas, e a distração é propícia ao encontrão.

E ainda para mais não é um encontrão qualquer. Entrem num centro comercial e agachem-se, ficando à altura da cabeça dos vossos miúdos, e olhem à volta. Tudo o que vão ver à vossa volta são rabos de pessoas. E os donos desses rabos não vos vão ver cá em baixo. E lá vem mais uma “cuzada”…

Já chega…

Quando finalmente te aproximas do objetivo, e encontras aquela loja onde sabes que vais encontrar uma das prendas que procuras, o teu pirralho puxa pelo o teu dedo e olha para ti com aqueles olhos de mel aos quais nunca consegues resistir e diz…

Já chega, vamos para casa…

E lá o pegas ao colo e entras na loja, compras o que queres a correr, apenas com o objetivo de sair dali a correr o mais depressa possível, tudo em prol do bem-estar do teu pirralho. Pirralho esse que, volvidos 3 minutos, não vai perceber porque razão te estás a ir embora do espetáculo de luz, cor e som e que irá o caminho todo para casa a repetir…

Para casa não… para casa não… para casa não… para casa nã-ã-ã-ã-o

Onde entra aqui o babywearing?

A minha primeira sugestão é encarar as compras de Natal como uma tarefa e não como um passatempo. Já lá vai o tempo em que perdia horas a escolher o perfume ideal para a mãe ou o livro ideal para a prima ou seja o que for. Façam uma lista das prendas e das lojas onde podem encontrar essas prendas, desloquem-se lá para comprar e pirem-se dali para fora. Nesta fase da vida, com crianças pequenas, passear significa jardim, rua, parques ou terraços.

A minha segunda sugestão é serem claros e transparentes com os miúdos. Não se trata de um passeio ou de uma brincadeira. É uma tarefa, é importante e queremos que seja simples, rápida e sem contratempos. Dizê-lo aos miúdos de antemão, logo em casa, antes ainda de se deslocarem para a zona comercial, facilita todo o caminho e quando tiverem que dizer “não”, não o fazem contra-corrente mas de forma coerente com algo que os miúdos já ouviram. Pode parecer estranho, mas os miúdos percebem muito mais do que às vezes imaginamos e esta conversa pode fazer a diferença.

A minha terceira sugestão é entrarem na zona comercial com as crianças já nos porta-bebés. Sei que com os miúdos mais espigadotes (2-3 anos) isto pode ser difícil de negociar, porque já querem ir pelo seu próprio pé a todo o lado, mas aqui a firmeza é fundamental. Aliado ao tópico anterior, expliquem-lhes porque razão é importante irem para o porta-bebés e que precisam de toda a ajuda e colaboração deles para conseguirem cumprir esta tarefa. E se tiverem miúdos de colo, que ainda não andam, façam o mesmo. Expliquem tudo passo por passo ao bebé. Ajuda-vos a recapitular o objetivo e, caso tenham miúdos mais velhos, ouvir-vos a dizê-lo novamente vai reforçar ainda mais a ideia.

A história das compras é mesmo a sério, até a estão a contar à minha maninha…

A minha quarta sugestão é que terminem a “tarefa” com um elogio aos miúdos e com a recompensa de deixá-los escolher o que querem fazer de seguida. Já entraram na zona ou centro comercial com os miúdos no porta-bebés, porque tinham uma tarefa a cumprir. Foram às lojas que queriam, escolheram o que queriam, pagaram e saíram. Missão cumprida. Parte deste sucesso vem de uma criança que se portou lindamente, que mesmo não tendo percebido em detalhe o que aconteceu, percebeu que havia coisas a fazer e que o seu comportamento tinha um papel importante e que fazer o que estava combinado ajudou.

Obrigado filho, não tinha conseguido fazer isto sem a tua ajuda. O que te apetece fazer agora?

Foto de topo de página por Mike Senese, CC BY-NC-ND